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SE EU MORRER AMANHÂ...

Se eu morrer amanhã, morrerei solteiro.
Sem filhos, não deixo viúva e nem dinheiro.

Se eu morrer amanhã, meus amigos:
Estão todos convidados a meu enterro.
Peço-lhes para não regar
A terra de minha cova com lágrimas tristes
Pois, tristeza só nutre sofrimentos.
Todavia, aqueçam o solo de meu jazigo.
Com o mais intenso e radiante sorriso
Pois com tal calor e luz acalentarão meus sentimentos
E alimentarão meus contentamentos.

Se eu morrer amanhã, levarei comigo.
A saudade da família e o amor dos amigos.
Todas as experiências da existência
Positivas ou negativas.
Codificadas em um aprendizado.
Momentos memoráveis da vida.

Se eu morrer amanhã,
Segue meu testamento:
Se alguém descobrir no bem o valor
Fiquem com meu exemplo:
De criatividade, persistência e desprendimento.
A quem descobrir nas letras um bem de valor
Peguem todos os meus pensamentos
Idéias, inspirações e sentimentos.
No meu livro de poemento.
Disseminado nas letras deixo a maior herança
Promessas de um ser melhor
Para um mundo com mais esperanças...

Se eu morrer amanhã,
Enterrem-me despido
Baterei nas portas do céu
Fazendo cara de inocente menino
Talvez o Pai deixe-me entrar
Talvez eu passe batido.
Que nada é só brincadeira.
O Pai, ninguém pode enganar.
Mas eu estou convencido
Que o céu está reservado
Para quem soube amar.

Se eu morrer amanhã...
Não sei se amei o bastante.
Mas, como o Pai infinitamente me ama.
Conceder-me-á certamente mais uma chance
De renascimento, para eu repetir.
As lições da vida e aprender a amar...

Se eu morrer amanhã,
Só mudarei de lugar
Conforme minhas tendências morais e emocionais
Morarei no nível de minha consciência espiral
Inferno, hades, samsara, purgatório ou umbral.
Só espero que meu novo endereço cósmico
Tenha ao menos uma luz para me guiar
Um espaço rarefeito para me acomodar
Mestres para me orientar
Amigos para conversar
Trabalho para me entreter
E livros para ler...
Não importa onde estiver para onde ir
Na casa do nosso Pai há muitas moradas
De qualquer casa Ele pode nos ouvir.

Se eu morrer amanhã,
Saibam todos, não é o fim.
Portanto não chorem no divã
Não parem suas vidas por mim...

Se eu morrer amanhã,
Apesar de tudo, sem nenhum susto.
Sereno, deixo este mundo.
E tal como Álvares de Azevedo
Morro em paz e sem medo.
Escrevam em minha lápide:
Não me arrependi de nada do que fiz
Pois as justas conseqüências, já sofri e:
“Foi poeta, sonhou, amou na vida e foi feliz”.
CicBenSil
Enviado por CicBenSil em 19/10/2007
Código do texto: T701208
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
CicBenSil
São Paulo - São Paulo - Brasil, 37 anos
418 textos (17876 leituras)
5 áudios (518 audições)
4 e-livros (253 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 21/10/17 15:50)
CicBenSil