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Dia de Finados e outros poemas moribundos

Não irei chorar teu corpo morto
e não te darei flores, reza ou vela...
E a tristeza não trará de volta ao porto
aquele que partiu... ou mesmo aquela!
Não hei de te chorar porque é novembro
porque te amei por mais que um dia
e é da tua alma viva que eu lembro!
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AOS AMIGOS

É tão triste perder um amigo
e sentir que se vai...
Quem nunca perdeu um amigo?
Um filho, uma mãe, um pai?
Quem nunca se sentiu só
ao dizer: “adeus, vovó...”
Quem nunca sentiu dor?
Quem nunca perdeu um amor?

E mesmo assim vacinados
ainda permitimos
que o tempo passe
e as pessoas se afastem de nós;
ou nós nos afastamos!
Perdemos quem amamos!

É triste perder um amigo...
E aqueles que se vão
nos ensinam uma lição que esquecemos:
Ainda vivemos um pouco mais;
perdemos os que se vão...
Perdemos?  Não!
Guardamos no coração!
Mas, e os outros?
Os que aqui ainda estão?
O que fazemos?
Perdemos também???

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VENCENDO O QUE VEM SENDO O MEDO DA MORTE

Meu peito sangra pela chaga aberta e antiga
por qual adaga ou por qual mão inda não sei
mas não me assombra não saber – somente a vida
vai revelar-me se a senti ou se eu sonhei...

Meu ser naufraga ermo das angras que me abrigam;
sem meio-termo indaga à morte se inda tarda
ou se me aguarda em minha sombra; mais me intriga
já não temê-la quando enfermo ainda eu arda...

Não tenho medo! Nada é meu a ser tomado
nem mesmo a sorte – não há dados sobre a mesa;
doce a incerteza e o saber-me despojado...

Quando for dado por consorte eu sem tristeza
rirei da morte em meu segredo, preparado,
pois cedo ou tarde me terá – tenho certeza!

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FINADOS


Manhã de Finados...
Afinados com a dor da ausência
os humanos sobem aos cemitérios
e sapateiam sobre túmulos abandonados;
justificam-se e desculpam-se
por ainda estarem vivos...

Finados...
corpos sepultos,
confinados...
De certo modo a morte é definida
assim desta forma:
Do pó ao pó...
Que gruda insistente nos sapatos
como se tentasse voltar à casa...

Finados...
Lamentos desafinados...
Arranjos de flores refinados...
Um revolver de terra
como se fosse revolvida dentro em si
a própria saudade!

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SEM CHORO E SEM VELA

A morte é tão cotidiana
e não tenho coroa de flores!
Só tenho saudades
da forma humana
de meus amores!

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RECADO DE FINADOS!

Dia de Finados, amigos!
Acordem de onde estiverem
que hoje é dia de festa!
Os bons partiram! Que nos esperem...
Aqui só ficou quem não presta!

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CONVERSANDO COM MEUS AMIGOS MORTOS

Pareço um cara que não se importa
em conversar com gente morta,
mas não há como fugir à realidade!
Saudade sim, mas só saudade!
Não há dor em falar seus nomes
nem em relembrar quanto vivemos...

Amigos que me foram retirados aos poucos
que eu até fingi não ter sentido...
Fingi que a morte não tinha sentido...
Que a vida não tinha sentido...
Que não tenho sentido nada!
Que nada tem sentido...

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Se alguém teve coragem de ler ou pelo menos rolar a barra de texto até aqui, precisamos conversar:
Há um texto meu intitulado "TEMER A MORTE" publicado aqui no Recanto das Letras. Deveria ler primeiro, mas pode passar lá depois, se quiser...
A morte não me assusta! O que me assusta é a dor das pessoas que convivem com a morte e não aprendem. Morrer é tão natural quanto nascer, mas somos egoístas e queremos que as pessoas que pensamos amar estejam por aqui à nossa disposição, pra quando eventualmente precisarmos...
Somos isso! Egoístas e sem tempo!
Não encontramos tempo para amar de verdade! Queremos apenas possuir as pessoas, mas não nos dedicamos a elas... e quando as perdemos por alguma razão, fingimos sofrer por elas!
É mentira dizer que sofremos pelos que perdemos...
Sofremos por nós mesmos, porque fomos incapazes de administrar o que pensamos ser amor!
Não quer dizer que eu não tenha sofrido cada perda! E não foram poucas as pessoas que me deixaram sem minha autorização... Ainda choro quando fico sabendo que mais uma pessoa que amei já não está mais por perto... e com o passar dos anos isso vai ficando cada vez mais freqüente...
A alguns destes muitos amigos e amores eu me dediquei realmente... a outros nem tanto... e lamento não ter encontrado tempo pra dizer a eles como foram importantes em minha existência, que também um dia terá fim...
E quando eu me for, só quero que se lembrem de mim, mas não preciso de lágrimas! Basta ser lembrado uma vez ou outra, ainda que num dia de Finados...

Poeteiro
Enviado por Poeteiro em 02/11/2007
Reeditado em 02/11/2007
Código do texto: T719906
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Sobre o autor
Poeteiro
Santos Dumont - Minas Gerais - Brasil
440 textos (10848 leituras)
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Poeteiro