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JOGOS DE ÁGUA

Águas que saltam dos canos
como se fosse das fontes
são águas sem horizontes
que brincam com seus enganos.
Em soluços sobre o lago as
camélias aspergem mágoas
dias e dias e anos.

Castelos, palácios, luxos,
músicas de sonhos idos
que mal roçam os ouvidos,
duendes, mouras e bruxos,
bolhas, cristais irisados
e sentimentos melados
desprendem-se dos repuxos.

Cânticos celestes, hinos,
ecoam nas águas claras.
Plangem saudades do mar as
harpas, flautas e violinos.
Entre fontes e regatos,
ninfas fazem desacatos
nas pilinhas dos meninos.

Sapos engolem, num trago,
os murmúrios das sereias.
Como líquidas areias,
lágrimas tangem o lago.
Sem amargura nem dor
poetas fingem amor
num largo gesto de afago.

Só quando o Sol desfalece
afogando-se na noite,
o vento brande o açoite
e o pesadelo aparece.
Náufragos da voz perdida
roem a côdea da vida
que não sabem se amanhece.

Calaram-se as águas. Nada
importa além do futuro.
Gotas de orvalho no muro
deixam a pedra molhada.
E, em cada gota que corre,
dorme um sol que nunca morre,
a esperança da madrugada.
CARLOS DOMINGOS
Enviado por CARLOS DOMINGOS em 16/11/2005
Código do texto: T72532
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Sobre o autor
CARLOS DOMINGOS
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