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NESTAS TERRAS LONGÍNQUAS.

Nestas terras longínquas vejo e sou vista.
Sinto-me desnudada, diante de olhos estranhos,
Entretanto, estranho aqui sou, eu! Sem duvida sou eu...

Nestas terras tão afastadas há coisas que nunca havia visto.
Sinto-me completamente estranha a tudo, e tudo me acanha.
E os olhos estranhos seguem, perscrutando-me, num exame infindo.

Nestas terras de olhares cortantes o único que me atrai é a saudade!

Levando-me, esta saudade, seguidas vezes a minha terra tão querida.
Aqui entendo bem a nostalgia que, a quantos, levou a estupenda inspiração, e assim, enlevados, a cantar essa terra em suas prosas e versos. Nostalgia na qual me refugio, contra o frio perscrutar continuo desses olhares.

Por aqui à frialdade, quita as belezas, que são para mim raras.
O brilho e calor solar têm seus encantos, más, não como os de lá.
Aqui a tristeza, embora, apenas suplante minha inata alegria.
Indubitávelmente, constroe fortes nos corações dessas gentes.

Sinto-me, por aqui, no mais completo vazio da solidão.
Porquanto, os que me têm ao seu redor, são tão diferentes de mim.
Entre si comungam num linguajar taciturno! Compreendo, porém, não lhes alcanço. Essa gente me estranha e tudo quanto encontrei por aqui me intimida.
.
Aqui são infinitas minhas saudades.
Saudades da minha gente matreira de fala alegremente ruidosa, de movimentos festivos, de molejo no andar, de pele trigueira, de olhos negros como a noite, porém são lindamente atrativos e receptivos esses olhares.

Ah! Agora sei o que é rogar para não morrer em outras bandas!

Não permitais Deus!
Pois, que eu morra por esses lados.
Sem que eu volte a minha querida terra avistar,
Sem que meus pés, suas belíssimas praias de areias alvas, voltem a tocar.
Sem que os anéis dos meus cabelos voltem com àquele vento tépido esvoaçar.

Alegre, e, feliz por certo irei chorar!

Infantilmente sonhadora, quero, sentir-me, outra vez em casa.
Deliciar-me com todos os seus sabores, suas cores, com seus perfumes
E com a minha gente, incomparavelmente, amiga e tão acolhedora, me enamorar.
 
Não permitais Deus, meu!

Que eu morra saudosa nestas terras longínquas!

Onde somente a saudade me atrai!
Cláudia Célia Lima do Nascimento
Enviado por Cláudia Célia Lima do Nascimento em 08/11/2007
Reeditado em 09/11/2007
Código do texto: T728489

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Sobre a autora
Cláudia Célia Lima do Nascimento
Luziânia - Goiás - Brasil, 52 anos
485 textos (16475 leituras)
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Cláudia Célia Lima do Nascimento