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BOLHAS DE SABÃO

Bolhas de sabão

Estava eu sentada no degrau da casa, na vila, com formato de ferradura. Talvez o motivo de tanta sorte. Avistei-a de longe com enormes sacolas de compras. Seu rosto transpirava um perfume que levava o nome do perfume preferido dela: alma de flores. Ela não sabia mais não era só perfume era a própria essência dela.

Sempre que retornava, abria seu largo sorriso e arruma seus cabelos negros e fartos, como de uma indígena, uma mestiça.Tinha braços fortes e me acolhia no abraço doce que me dava tanta alegria. Se não fosse bala, era biscoito,ou uma fita colorida pra colocar nos meus cabelos. Seu zelo era tanto, e tanto que preenchia a casa de sorrisos ainda que a tristeza lhe cortasse o peito e as vezes eu a via de longe á comer com a cabeça debruçada sobre a mão. Um prato que tantas vezes me pareceu indigesto: um bocado de arroz, farinha, feijão e lágrimas, que disfarçava ao ver meu olhar, sabia que eu não teria palavras pra lhe acalentar.

Ali naquela vila ficávamos nós fazendo molecagens e firulas com a criançada enquanto ela se debruçava na janela pra dar uma espiadela e voltar pra suas costuras. E fazia brocados, pregas, saias godê. Eram coisas tão lindas de botões encapados..e seus bordados tão lindos de se vê.
Fazíamos também bolhas de sabão, das plantas que cresciam do outro lado num terreno que pra nossa alegria era mal cuidado. E eram tantas bolhas..lindas.
Mas lindo mesmo era o sorriso dela! E a voz cantando um samba daqueles que cortam o coração e eu pensava: Quando crescer, quero ser igual a ela!

E nossa vida foi explodindo tantas bolhas de sabão, tantas emoções, e o tempo passou depressa e nem me deu tempo de aprender a engolir aquela mesma comida indigesta que eu lhe via comer.
Mas seu sorriso é ainda o mais belo, embora tantas vezes eu tenha me recusado a ver.
E assim como as bolhas de sabão que brilhavam até explodir entre risos e correrias de meninos e meninas felizes. Eu acordei um dia e me dei conta que o sonho que eu tinha nem
Deixou de ser sonho, eu ainda quero ser igual a você!

E como bolhas de sabão tão rápidas em se desfazer as lembranças vem e vejo que ainda tenho muito contigo a aprender!




Dedico estas palavras à minha amada mãe, minha conselheira, amiga leal que entre todas as suas agruras jamais negou-me um sorriso, uma palavra , um conforto.
Que jamais murmurou quando a coisa tava feia e por isso fez a minha vida ser mais bela!
Terezinha S. Rangel. S.P. 09.11.07
Cristhina Rangel
Enviado por Cristhina Rangel em 08/11/2007
Código do texto: T728631
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Sobre a autora
Cristhina Rangel
São Paulo - São Paulo - Brasil, 47 anos
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Cristhina Rangel