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Cidadão do Gueto

Já não tenho vida...
As noite açoitado no chão, tudo se revolve como feridas.
Os sonhos, as expectativas, abortam diante da lida.
Vejo a minha casa, entre outras casas no meio do lago ou na invasão;
Vejo as minhas mãos em carne viva,
Sinto a minha  segurança invadida de medo
E a educação de meus filhos  sofrida.
Os meus direitos subitamente são repartidos e
A minha família há dias sem o que comer.
Embora ainda no peito haja amor e respeito,
No meu leito, eu vivo de morte, até que a sorte me direcione um rumo.
Sei que há o direito, mas não sei do que, pois não há respeito comigo.
Se é castigo não sei dizer...
Mas que há uma imensa desigualdade, isso eu sei e ninguém precisa me contar.
A nossa carta diz que nós, os filhos da pátria, somos livres,
Que somos nós, unidos, os senhores da nação.
Mas a  luz da verdade é que a gente não sabe nem ler.
Talvez por isso sejamos órfãos da nação, emergentes em gritos e dores nessa selva Americanizada de ilusão.
É difícil entender...
Pois eles fazem uma grande confusão,
Eles nos dizem o que podemos fazer,
Eles entram em nossas casas pela tv;
Chamam palavrões, agridem as nossas mulheres, agridem nossos homens.
Ditam as regras, as cores e ainda dizem o que comer, como beber, vestir ou ser.
Quando alguém de um dos três poderes erra, é corrupto...Coitado e
A justiça  fica orando na esquina,  o bandido é chamado de doutor e tudo termina,
Quando nem começou.
Quando a autoria é de  alguém do povo, diante de nós,  assistimos a tudo calados; o coitado  é logo taxado e  encarcerado.
.
A cada dia o sol nasce para todos, mas ninguém quer aprender.
A distinção é diária, a fome é sexagenária e tem horas que o filho pede pão a gente nem sabe o que fazer, porque não tem médico, não tem posto de saúde, não tem escola, não tem trabalho, praças ou futuro, onde a gente possa ao menos viver como irmãos.
O País é nosso, a Constituição é nossa, a terra nos pertence, eles só nos representam, ainda assim, não sabemos o que fazer.
A democracia nos ensina que todos tem lugar para viver, não se precisa de muito, precisamos ler e escrever.

Alberto Amoêdo
Enviado por Alberto Amoêdo em 09/11/2007
Código do texto: T730379
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Alberto Amoêdo
Macapá - Amapá - Brasil, 51 anos
1344 textos (19098 leituras)
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Alberto Amoêdo