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hora branca

para a espera que nascemos.

não foi para a realização de nossos sonhos.
nossos sonhos são menores que
esta espera
diariamente de que a
vida

perpetue.

não.

esta espera que nos sonha,
como a mente de um deus mudo
manso
e
lento, —

esta espera de que o mundo se conclua,
de que a culpa se
perdoe,
de que a noite chegue à
luz.

esta espera intervalar:
perante a morte a vida inteira...
esta costura
de alegria e de tristeza, este cansaço após o riso,
este motivo sem por
quê.

para a espera.
nem para a realidade ou a verdade,
nem para acordar do que
era
sono, — para a
espera,

para a escuta,
para a multa e a contrição, —
para tanto que
nascemos, para a cruz e a solidão.

como a espuma derramamos. como a curva nos voltamos.
                                                        [como a flor padeceremos.
mas para a espera que nascemos. para a espera
sem juízo.
para o espaço-compromisso entre
nascer e pois

morrer.

para a espera.

neste instante nada mais nos importa.
a morte é breve.
contudo, por quanto esperamos:

a morte nunca chegará!
 
andré boniatti
Enviado por andré boniatti em 10/11/2007
Reeditado em 17/01/2017
Código do texto: T731681
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
andré boniatti
Corbélia - Paraná - Brasil
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