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Pecado Original



Têm meninos fora da escola;
Tem crianças no nosso quintal
Revirando o lixo pra contar uma história;
Têm políticos desviando dinheiro da nação.

Tudo isso acontece à luz do dia...
Enquanto a gente faz que não vê;
Enquanto a gente diz não ter nada a ver
Enquanto a gente continua vendendo o nosso voto,
Enquanto a gente não se sente responsável pelo que tem que ser;
Enquanto a gente não lê.

Enquanto a gente dorme a cabeça em berço esplêndido
Tem uma multidão de pessoas acalentando a fome na boca.
Nas esquinas dos nossos muros;
Têm meninas na prostituição;
Têm trabalhadores morrendo sem razão.

Será que a gente não enxerga?...
Não há água encanada;
Não há ruas asfaltadas e nas escolas ainda lhes ensinam limitar a visão.
Na há nada de beleza na miséria;
Não há nada de cristão na pobreza;
Não há nada cultura na televisão.

Somos operários de papeis passados,
Testemunhas de uma geração apagada,
Somos povo de injustiça na Constituição
Carregando como legado a escravidão
Num país de iletrados e de grandes dimensões.


Quem em vida não é mensageiro da dor...
É pai de um filho em perigo;
É mãe de um bandido ou acalenta em seu ventre,
Sob o ar da solidão, as lágrimas da morte prematura.
De uma esperança sofrida, que ainda é dívida de uma ilusão.

Não somos andança de um medo,
Não somos incapazes de fazermos
Um mundo melhor,
Basta que a gente não se esqueça, que a vida está sempre recomeçando no amor
E o sonho é a essência da democracia da alma.


Alberto Amoêdo
Enviado por Alberto Amoêdo em 13/11/2007
Código do texto: T735537
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Sobre o autor
Alberto Amoêdo
Macapá - Amapá - Brasil, 51 anos
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Alberto Amoêdo