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Amor perdido, imerso no mar.




                                                                                               



Caio novamente em mim,
após forte vento de culpa ter me empurrado novamente para baixo.
Volto ao que sempre fui, sozinho.
Me vejo indigno agora de pedir desculpa e qualquer coisa,
que seja uma tentativa de passar o passado pra trás.
Ninguém engana a vida.
Ninguém engana o amor.
Esse sim nos engana.
Nos faz errar, e nos cega.
Talvez outros nem tão atentos ao que acontece,
podem perceber melhor do que nós, todos os perigos,
e alegrias que nos rodeiam.
Perdi a brisa leve da manhã, a troquei por ventania.
Perdi a folha calma que cai de galho alto;
troquei por pedra que rolava morro abaixo.
Perdi  porto seguro, com vista boa para o mar;
Troquei por casa feia, sem janelas de fundo prum bar.
Perdi modas e prosas, troquei por rock bobo.
Perdi historias contos e poesias,
troquei por textos sujos, sem vida e sem graça.
Troquei a forma mais bela, cultuada e admirada,
por forma outra qualquer, já gasta e conhecida.
Perdi o rumo a toa, perdi maré bem boa,
por caminhos sem placas e sem linhas, por onda qualquer,
que força não tem para levar criança ao chão.
Pipoco de onda, vento de montanha, estrela em noite de céu claro,
sorriso de criança, abraço de mãe em filho...
E todas outras coisa belas que a vida nos proporciona presenciar,
e que de tão rotineiras nem as percebemos,
troquei tudo por escuro, pus tudo numa sacola,
amarrei bem amarrado.
Coloquei em uma caixa,
com dez mil pregos e dez mil cadeados.
Joguei a caixa ao mar, e assisti tudo afundar.
Marinheiro que não é bobo, levou minha caixa embora,
usou e jogou fora, para outro marinheiro usar.
Fizeram muito uso, e nenhum que merecia teve chance.
Só os grossos marinheiros de um barco
chamado vida, de embarcação beirando ao bagaço,
tiveram o deleite de gozar dela as belezas.
Como ignorantes que são, extraíram dela a leveza,
a pureza e a luz.
Agora a caixa bóia, como eu, sem destino
pelo mar grande do mundo, vai girando assim sem rumo.
Encorajo-me a me jogar ao mar, pra buscar tudo que é meu.
Chego tarde, o mar é bravo.
Nado mal, meu amor morreu.


Souza Filho
Enviado por Souza Filho em 15/11/2007
Código do texto: T737820

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Sobre o autor
Souza Filho
Goiânia - Goiás - Brasil
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