Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

PULANDO CARNIÇA


Pula-carniça, salte traquina,
avance a esquina sem carros
e derradeira passará, desatenta,
pelas cercas rotas de arame-farpado
onde deixou meu pedaço desvestido.

Pula-carniça, salte um riso,
chupe manga no galho mais alto
e respire os peixes, livres do plástico,
no riacho da horta de verduras frescas
onde escondeu seu pedaço de cheiro.

Pula-carniça, salte à-toa,
jogue a casca de banana no céu,
e ganhe a amarelinha, qual um saci,
para os meninos de rua, tão invejosos,
que não a viram como eu: sem calçola.

Pula-carniça, salte a dor,
pule pela sombra refletida no pátio,
e só cresça quando o sol ficar adulto,
mesmo com a pouca vida do meio-dia
dos homens que viram sua sombra nua.

Pula-carniça, sobras de criança,
os jogos perdidos do tempo de menina.
E, quando sua infância não puder mais pular,
tire a bermuda do sol que pula-carniça
saltando pelas costas das manhãs.

Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 22/03/2005
Código do texto: T7427
Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Djalma Filho http://www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=686). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
658 textos (19473 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 28/09/16 14:05)
Djalma Filho