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E isto basta!
 
Hoje a noite é especial
e darei um suspiro tão profundo,
quase um gemido,
que todas as mulheres que um dia amei,
que um dia me amaram,
que julguei amar
ou que me amar julgaram,
saberão que sou eu quem fala ao vento,
e toda a alcatéia saberá
que é meu aquele uivar...

E não é por nada não,
é apenas um festejar
o fim de mais um dia
dos milhares que já vivi,
de mais um milênio
dos milhares de milhões do Universo.

É um encontro de plenitude
pois sou maior que os abalos banais
e trago em mim bilhões de anos de história
e tenho o poder de trilhões de sóis
que ora brilham
espalhados nas constelações do mundo a fora.

Não tenho porém passados
e nem futuros
somente presentes que se sucedem
a escrever poemas,
versos banais como a primavera,
banais como a beleza.

E não estou só,
não, nunca estou,
pois tenho em cada célula
(e nem direi de quantas sou formado)
o Universo escrito desde a Gênese
(e não há na minha história um apocalipse,
somente a metamorfose,
a reintegração ao infinitamente maior de mim)
e cada passo que dou,
cada respiração mais leve,
é um acontecimento único no Universo.

Ninguém a mim se iguala,
e a nada sou igualado,
e o passo que ontem não dei
darei agora, ou amanhã,
nunca talvez,
e não será jamais fora de hora.
E se de mim duvidas
é porque me buscas com a razão
e somente com a paixão poderias me alcançar,
pois tua razão está impregnada de humanismos,
de sensações que em nada são perenes,
que são sensações apenas,
incapazes de enxergar além do trivial,
pensando ser normal o teu pensar,
julgando assim me encontrar
num lugar que nem conheço
e que por certo nem existe
por estar aquém de mim.

E pensas assim me entender,
saber de mim o mais que sou,
ficando abaixo, léguas abaixo,
sem nem passar por perto do mundo que habito
e que só pode descobrir quem convidado for,
e seja como for
um dia julguei te amar,
e no outro deveras te amei,
mas nem sei mais do que sabia,
e por nada saber
vivo somente a viver
este momento certo
pois que do incerto
eu até já me esqueci
ou nem percebi quando por mim passou
e nem decerto sei mais quem sou,
sou isto apenas, e isto basta!

Sem sensações irreais,
triviais,
sou isto apenas, e isto basta!

Sou um universo de emoções,
sensações múltiplas de um existir
que sonhou um dia existir além de mim,
e sigo assim, pois que parar não posso
já que sou levado por uma onda transcendental,
transparentes movimentos de forças incontroláveis
que transpiram, latejam e pulsam no meu ser.

Sou isto apenas, e isto basta!

E um dia julguei te amar,
e no outro, deveras te amei,
e até pensei que pra sempre fosse durar
o que nasceu num dia
para um dia viver
e no outro terminar,
mas que se viveu sereno,
um dia ao menos, horas que fossem
viveu sem conhecer o amargo sabor de se saber efêmero,
viveu com plenitude,
desconheceu vicissitudes,
desnecessários sabores que a vida nos põe na boca
e que descem goela abaixo.

Mas mesmo assim posso te afirmar
que um dia julguei te amar,
e no outro, deveras te amei
e até me perdoei
lembrando que um dia passei
por este dissabor
de te amar num dia
e no outro não te encontrar.

Mas de tudo o que restou
ainda posso afirmar
que sou isto apenas, e isto basta!

E se um dia julguei te amar,
no outro, deveras te amei.

Então pra sempre eu hei de te sonhar,
então pra sempre eu hei de te esperar,
então pra sempre eu vou te afirmar
que se um dia te amei,
pra sempre então eu vou te amar.

 

Lucas Castro
Enviado por Lucas Castro em 24/11/2007
Reeditado em 13/10/2008
Código do texto: T750835

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Sobre o autor
Lucas Castro
Novo Hamburgo - Rio Grande do Sul - Brasil, 56 anos
157 textos (6178 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 24/10/17 09:49)
Lucas Castro

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