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Espectro

Espectro

Um dia apareço assim
te tomo de assalto
Com meu suave vento
invado teu sombrio quarto
Trago o brilho ensolarado
cultivado em meu jardim

Desorganizo os ponteiros
do relógio de mergulho
ajusto o que foi perdido
tic-tac vira marulho
som de concha e sussurro
do meu mar no teu ouvido

Farejo em sutil contato
narinas navegando teu peito
traço um perfil topográfico
formulo o aroma perfeito
cada poro registrado
na total precisão do olfato

Meus braços te circundam
qual te amarrassem cordas
umidade salivar no pescoço
varrer de cílios no queixo
nas pálpebras um roçar de lábio
Mãos espalmadas em tuas costas
Duas ventosas que te fecundam

Sopro na silente caverna
todo o ar que nos distancia
soletro a alegria louca
grito aquilo que hiberna
-liberdade e maresia -
bem fundo na tua boca

Despertas atordoado
Mas sorrindo diferente
Sensação de pureza leve
E na paz tão de repente
fluindo ao limite da pele
percebes meu eu delicado

Me sabes ali, invisível
e me chamas, aliviado
Nem notas o porquê indízível
de meu espectro abnegado.

Claudia Gadini
23.11.05
Claudia Gadini
Enviado por Claudia Gadini em 23/11/2005
Reeditado em 04/03/2006
Código do texto: T75111

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Sobre a autora
Claudia Gadini
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Claudia Gadini