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O HOMEM QUE VEIO DO RIO

Porque ela estava ali?
Ali ela ficava... A espera, a esperar sabia
Que ele viria um dia
Eis que, vencendo a água, ele chegou do nada
Resoluto abandonou o barco,
Passos largos, autoridade sem roupa de general;
Não careceu falar...
Olhou, tocou, marcou; não deu risada
Assédio natural, entrega total; sem pestanejar...
Com sêmen, inoculou o amor
Deixou vazar a semente... Terna passividade
Gozo gostoso, êxtase sem dor.

Para atenuar a saudade
Na marca do que se foi, ficou
Um olhar que era só bondade...

Por ora abandonou o rio;
Mistérios, lendas eqüóreas... Ainda cria!
Desistiu de ao longe olhar; talvez surja na praia... Magia!
Apaixonada, em vão ela volta todo dia,
Sempre a mesma hora, ao mesmo lugar...
Quem dera apareça no seu passo manso
Envolto na fraterna algazarra que quebra o uníssono das ondas
Uniformizado, sutilmente adornado pela vara de pescar;
Liderando, qual decano
Embriagado pela esperança na fartura do oceano.

Colosso a contemplar... Crendice eriça o instante:
Mãe d’água, sereia, mulher-serpente; boto que vira gente
Triste sina! Espera que não tem fim!
Água e sonho a embalar não a deixam acordar...
Bom demais pra ser medonho
Conflito se agiganta: Será saudade ou mero desejo
Conhecer por inteiro, tê-lo desnudo a tocar...
Talvez quebrasse o encanto, cessasse o abandono;
Esperança é o que denota para acelerar sua volta
O que foi sem nunca ter sido na mente distorcida clava ferida
Reclama ao sol um testemunho na pauta do desengano.

Artífices do convite, aqueles olhos em furtivo furta-cor,
Eis o que restou...
Já perguntou ao sol, ao vento, ao firmamento...
Ninguém sabe ninguém viu
O homem que veio do rio
.
jorgearildo
Enviado por jorgearildo em 24/11/2007
Reeditado em 20/03/2010
Código do texto: T751324

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Sobre o autor
jorgearildo
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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