Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

O CORPO AINDA POSSUI

Pão duro, boca mole.
Faca afiada, olhos cegos.
Vesgos vícios, sãs desejos.

O corpo ainda possui a pele que enruga
Que serve de abrigo à pulga.

Cabeça feita, ventre inacabado.
Pés descalços, tênis importado.
Carro blindado, carroça sem porta.

O corpo ainda possui o formato do aparato
Que se rompe depois de um ato.

Comida quente, fome congelada.
Banheiro com Box até o teto, bostas no chão.
Cabelos escovados, cérebros encharcados.

O corpo ainda possui vísceras e gestos
Que se desfaz em restos.

Bunda grande, cabeça pequena.
Alma doce, espírito amargo.
Reações alérgicas, loucuras lisérgicas.

O corpo ainda possui formas e feridas
As “cicatrizes” ingeridas.

A bebida corrosiva, o paladar voraz.
O grito cheio no escuro, a voz vazia no claro.
A santa de gesso, A fé de porcelana.

O corpo ainda possui os cultos e os pulsos
Que um dia tornam-se os “vultos”.

O dia amarelo, a noite negra.
A palidez da lua, os raios de sol.
Comida caseira, lavagem aos porcos.

O corpo ainda possui moldes e molduras
Que apodrece como frutas maduras.


Rommyr Fonttoura
Enviado por Rommyr Fonttoura em 29/11/2007
Código do texto: T757521
Classificação de conteúdo: seguro
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Rommyr Fonttoura
Mariana - Minas Gerais - Brasil
265 textos (9849 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 24/10/17 05:43)
Rommyr Fonttoura