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NOITE

Adentro, relento, uivando.
um fino trato de mel.
Afável, amável,
suave com um corpo de mulher.
Estúpida, dura,
nua e crua,
como um toco
que na cabeça, nos cai.
Forte e sedutora,
aplicando as armadilhas
do tempo.
Louvar em odes boêmias,
assim também se faz
a noite.
Caprichosa em seus elementos,
Lua e estrelas radiantes,
ofusca o bêbado cambaleante,
a triste lágrima perdida,
o maldito,
a dor e os amantes.
Majestosa,
Ah! com é,
lírica em todos os detalhes
na volta, revolta e a pé.
Caminhar seus caprichos,
seguir sua vontade,
perder-se em seu pensamento,
unir
do mal a bondade.
Faceira,
atriz e mentirosa,
provoca afinados suspiros,
aos mais ávidos,
aos loucos e aos desatinados,
transportando para o seu harém,
cada corpo, cada vida,
cada copo,
cerveja e vinho,
ao luxuriante e também ao pobre
o reverso, o verso e a prosa.
Vejo as estrelas
em meu quarto fechado,
me recuso a abrir a porta,
sentindo ao longe
aquele sax
desafiando o som do silêncio da noite,
como um pequeno inquieto
dentro de um grande casulo.




Noite, toma a minha mão e me carrega por seus caminhos... só levarei
comigo, meus sonhos.


Peixão89
Peixão
Enviado por Peixão em 24/03/2005
Código do texto: T7593
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Peixão
Santo André - São Paulo - Brasil, 56 anos
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