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A SOMBRA DE FLORBELA

Hoje já não há tempo para amar,
Florbela, como tu amaste.
Quando a charneca floresce
o amor é pão.
A charneca saltou da paisagem
para dentro de nós.
Ela é também o amor.
E não só ela, mas o olival,
mas a seara,
mas o açude.
E as vacas malhadas, de olhos ternos,
e as ovelhas. mesmo sem flauta de pastor,
e os vinhedos de afogar a alma na distância
fazem parte da nossa saudade
de emigrantes de sonhos.

Hoje o nosso amor mora em carapaças de raiva,
as nossas carícias criam calos de vontade
e os suspiros soam como um clarim.
Abrimos as cortinas da madrugada
e enfrentamos o sol com rudeza de povo.

Mas, no fundo, somos como tu,
ternos e sensíveis.

À tarde quando o sol desiste
e foge em direcção ao mar,
gostamos de descansar na tua sombra
do tamanho da noite
e ouvir as mágoas misturar-se com o luar
e sentir o nosso coração bater
ao compasso das estrelas.

Enquanto uma viola tange (ou será o vento?)
CARLOS DOMINGOS
Enviado por CARLOS DOMINGOS em 25/11/2005
Reeditado em 26/08/2007
Código do texto: T76324
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Sobre o autor
CARLOS DOMINGOS
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