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A CONFISSÃO DE POLIDORO

Por ordem da Deusa
apertei meu elmo
cingi meus lombos
e combati milhares

Antes do sol, as pétalas
trilhas emaciadas
por pés de escravos
a quem não libertei

Construí colunas
entre os mares de Zeus
ergui muros e templos
corrida de tantos pés

Por ordem da Deusa
destruí muralhas
atirei-me em abismos
sacrifiquei bois e pássaros

Nada me feria, nada
comandei frotas pelo Egeu
atingi cumes e fronteiras
roubei o fogo divino

Por ordem da Deusa
combati à esquerda
e à direita tombaram
heróis de ferro e aço

Golpeei povos
calquei meus pés
em caminhos de fadas
prata e doce alabastro

Por ordem da Deusa
destrocei corações
em países do crescente
entre projéteis inimigos

Por ordem da amada e santa
Deusa e senhora dos tempos
aqui estou, herói sem elmo
sem punhal ou lança

Nem Páris nem Heitor
tiveram o destemor
de buscar para si
a dor da espada

Nem Ájax nem Menelau
construíram navios potentes
dos lares desterrados
nem de lança insolente

Aqui estou sem corcéis
nem jóias ou infantes
sem rubor nem palácios
ou poder das falanges

Aqui estou em corpo destronado
soldado que não mais tenta
fugir de si ou da Deusa
fugir do mar ou da santa

Só me restou o corpo
ó Deusa imortal
e o sangue coagulado
a mim próprio reduzido
PHYLOS
Enviado por PHYLOS em 04/12/2007
Código do texto: T763837

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São Paulo - São Paulo - Brasil
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