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COISA RARA

Finge o homem ter todas as horas do tempo universal
como se pescador fosse e todas as iscas levasse no embornal,
finge que possui o segredo da verdadeira e única emoção
por simplesmente possuir o oitavo elemento chamado coração,
crê ser o arauto de toda filosofia que virá explicar nossa origem
mesmo sabendo que do pó ao pó será sempre a mesma fuligem,
põe-se de pé feito esfinge a perguntar a quem por ali ousa passar
se capaz é de ler o invisível e com as mãos separar o bravio mar,
rompe de falar apressadamente como se línguas inventasse, urgente,
que demolisse Babel, escada ao infinito do que supomos por no papel,
estufa seu peito e range mandíbulas a proclamar conluio com um deus
que guarda dentro de caixas ou que prega em madeira de ateus,
ri de gargalhar daqueles a quem chama de animais por serem afim
de despertencer ao que denomina dono de tudo, do breu ao jardim,
aventa a hipótese de ser a prótese, de ser o cérebro avançado
de um antigo rei que aqui viveu como o maior dos potentados,
por fim se recusa a misturar-se à plebe rude e massa ignara
já que, criação avançada, fala, ouve, vê, toca, sente-se coisa rara.

Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 04/12/2007
Código do texto: T764537

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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