Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Árvores Solitárias by Denise Severgnini & Árvore Tombada by Valeriano Luiz da Silva

ÁRVORES SOLITÁRIAS
 
No pico granítico de um morro,
árvores solitárias espreitam
suas jovens companheiras
que na encosta abaixo habitam.
 
Lá de cima, muitas coisas elas fitam...
mais próximas de Deus,elas  estão.
 
Da janela, de onde me encontro
contemplo a majestade das árvores solitárias,
cansada...desgastadas pelo tempo,
mas continuam erguidas.
As mais jovens, verdes e garbosas...
olham para cima e dizem sorrindo:
_Aquelas  estão em fim de carreira,
logo elas  aposentar-se-ão
como um tosco banco de alpendre
ou mesmo brasa de carvão.
 
As árvores solitárias cochicham
entre si:
- Pobres crianças ingênuas,
não sabem que o tempo passa
e que envelhecerão também.
Mas uma vantagem nós temos:
a experiência adquirida durante a vida
e a capacidade de compreendê-las.
Denise Severgnini
Novo Hamburgo/RS
http://denisesevergnini.multiply.com
 
 
ÁRVORE TOMBADA
 
 
Já fui bela e majestosa
Inspirei versos e prosas
O perfume de minhas flores superava o da rosa
Hoje vivo assim, mas já fui muito frondosa,
 
Minha sombra foi abrigo
Na hora do perigo
Do animal e do homem
E meus frutos saciaram fome
 
Fui o teto do viandante
Quando o sol era escaldante
Fui guarda sol e sombrinha
Amparei da chuva forte ou da chuvinha
 
Dei abrigo para os pássaros
Já mais neguei o meu espaço
Assim cumpri a obrigação
A mim dada pelo pai da criação
 
Debaixo de minha sombra descansava o lavrador
Também o rico agricultor
E até o pecuarista doutor
Com seu automóvel encantador
 
Nunca deixei de balançar as minhas folhas em sinal de adoração
Aproveitei o forte vento para fazer minha oração
Pois quando Deus criou o mundo me fez com tanta perfeição
Deu-me longas raízes pra buscar no solo alimentação
 
Veja que caso sério
Pois o que Deus faz é um mistério
Só se pelo homem for podada
Mas Deus não fez nenhuma árvore quadrada
 
A árvore torna-se quadrada pelo serrote
Ou outra ferramenta de corte
Porque por falta de sorte...
O homem nos causa tanta morte
 
Mas pode procurar na raiz, na folha ou na flor...
Veras a perfeição do Criador
Que nos fez com tanto amor
Mas somos destruídas pelo maior dos predadores
 
Às vezes somos vendidas contrabandeadas ou roubadas·
Eu mesma sou testemunha de tantas queimadas
Se não houver mudança, o mundo terreno já está sentenciado,
A um sofrimento muito grande ou talvez ser acabado
 
Agora saiba de uma coisa, nosso criador foi quem vos criou...
Oh! Humano, no dia que você nasceu você chorou...
No dia que você morrer muitos vão chorar...
Será que a natureza não chora
quando uma árvore você vem a matar?
 
Fica aqui minha lamentação...
De uma pobre árvore derrubada no chão
Já não tenho folhas não dou flor nem frutos
Serei serrada ou queimada talvez em questão de minutos

 Valeriano Luiz da Silva
Anápolis Go, 04/11/05
valerianols@globo.com
www.albumdepoeta.com
Denise Severgnini
Enviado por Denise Severgnini em 26/11/2005
Código do texto: T76529

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, criar obras derivadas, desde que seja dado crédito ao autor original (Denise de Souza Severgnini http://www.denisesevergnini.recantodasletras.com.br) e as obras derivadas sejam compartilhadas pela mesma licença. Você não pode fazer uso comercial desta obra.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Denise Severgnini
Novo Hamburgo - Rio Grande do Sul - Brasil, 57 anos
11345 textos (916756 leituras)
16 áudios (8882 audições)
311 e-livros (34110 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 09/12/16 02:19)
Denise Severgnini