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POEMA FEIO

Quero escrever um poema sem intenção nenhuma
Para não ser lido
Para não ser publicado
Vou tomar palavras infaláveis em público
Enfeiar metáforas
Esse poema será amargo
Deleite para meus inimigos
Zombarão de mim letra por letra
Meu poema feio
Meu poema quase
Poema abismo
Poema esquisito
Igual meninas tísicas na passarela
Quero isto deliberadamente agora
Começar um verso sem sabor
Um saxofone enferrujado
Um baú de quinquilharias
Desnecessidades vão enfeitar meu poema
Uma pia quebrada
Um pente velho e verde
Uma sacola surrada de tanto ir à feira
Botões arrancados de uma camisa
Folhas secas da pimenteira morta
Quero um poema sem sonoridade
Para não ser ouvido
Não ser comentado
Vou de nó em nó amarrar adjetivos
Nas metáforas que ousarem algum galanteio
Adjetivos feios
Como rachaduras em sapatos pretos
Poema analfabetizado
Engaiolado
Ultrapassado
Mexeriqueiro
Forçado
Desengonçado
Seco
infrutífero
poema feio

Edmir CARVALHO BEZERRA
Enviado por Edmir CARVALHO BEZERRA em 30/11/2005
Código do texto: T78738
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Sobre o autor
Edmir CARVALHO BEZERRA
Belém - Pará - Brasil
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Edmir CARVALHO BEZERRA