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10:22...

10:22
Começou tudo apressado bem mais cedo,
Nem atenção foi dada para o horário
Tem um bom dia esperando alguns,
Outros nem sabem que dia é hoje,
Ou se vai ser apenas mais um,
Empacotados com o pequeno amanhecer frio, frio, fome,
É aquela merda de sempre
Do dia atrás do outro,
É o tempo de todas as vacas
Da brincadeira do rádio
O recado, quase aviso da ouvinte...
Se eu morrer nesse avião,
Pelo menos não vou ser culpado pela cagada que vão fazer,
Esse é o dia a dia,
Nesses dias de hoje,
E olha que tem até eleição na parada
E que parada,
Aquele cara sentado no banco da praça,
Quase caindo nos pedaços da vida,
Nem imagina o que passa,
Mal ele consegue passar o dia,
Mal ele consegue ser,
O ser decai,
Bate de cara no chão,
Bem, naquilo que alguns ousam chamar de chão,
Atrapalhando quem passa,
A fleuma do “camelô”,
A vista da praça,
A entrada do Metrô,
Até perguntam, como pode uma coisa dessas?
10:42
O relógio está um pouco adiantado,
O tempo continua uma merda,
O saco está arrastando no chão,
Esse dia vai passando devagar,
Deitado na vista do mundo,
Esperando, esperando, esperando, esperado,
Sem pressa outro dia passar.
24 do 10.

Peixão89
Peixão
Enviado por Peixão em 25/03/2005
Código do texto: T7890
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Peixão
Santo André - São Paulo - Brasil, 56 anos
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