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Choro, agora...

Choro, agora...
 
Choro, agora... Mato saudades da poesia
Ela, a que me é da vida a alegria
Veio a mim, sussurrou-me um verso,
Ao ouvido, já surdo de tempo adverso.
 
Choro, agora...Emoção que alenta meu peito,
Um doce rio que me faz de feliz leito,
Na voz murmurante de uma rima sem som,
Que as liras dos anjos me fazem de tom...
 
Choro, agora...Ela encontrou meu eu perdido
Nas brumas de um tempo para o nada ido...
Chega-se a mim, toca-me como a vida
Faz-se meu ar, do coração a batida...
 
Choro, agora...Tecem palavras os meus dedos
Que correm sobre o papel, nervosos medos...
Podem não mais saber bordar alegorias,
Pois teceram outras rendas por muitos dias...
 
Choro, agora....Ai! é manso o meu momento,
O meu pranto nasce dentro do pensamento,
E vem beijar cada letra destas rondas
Para que não me afoguem tantas ondas...
 
Choro, agora...Minhas lágrimas são luz
A luz de um templo ausente de uma cruz
Onde orei as contas de tantos rosários,
E deitei na ara as cinzas do meu sudário...
 
Choro, agora...Pranto feito em rimas tortas
Brota das minhas escancaradas portas,
Quando as minhas mãos pintam esta cantiga,
Que canto em busca da palavra mais antiga...
 
Choro, agora...
   
Lizete Abrahão
Enviado por Lizete Abrahão em 04/12/2005
Código do texto: T81008

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Sobre a autora
Lizete Abrahão
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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Lizete Abrahão