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Eis


Há muito peguei estrada
Atrás da felicidade
Entro em todos atalhos
Perco-me em labirintos
Sem medo da caminhada.
Sentidos bem aguçados
Imprimo em minha retina
O olhar que está ao lado
Ora um olhar todo santo
Ora de puro  pecado.
( Na minha procura sigo
Olhando todos e tudo
Só não olho pro umbigo)
E pelas minhas  narinas
De um jeito meio vadio
Entra  cheiro de incenso
De alma, de carne , de cio.
E dobram nos meus ouvidos
Gargalhadas da esquina
Ou o fogo dos gemidos
Que se crêem na surdina.
(Seguindo assim pela rua
Ouvindo a todos e tudo
Minha busca continua)
 Busco mãos que entrelaço,
Mãos de calos ou de seda
Busco corpos que abraço
Corpos fogo, corpos gelo
Tecidos de pele e pêlo.
E saboreio o manjar
Dos deuses e dos diabos
E  engulo muitos sapos
Com a pose de um nababo
Não passo fome nem sede
Aceito o oferecido.
Só recuso sua rede:
O caminho é comprido
E nem deve acabar
Pois agora estou bem certa

Que a tal felicidade
Está neste procurar.
Emília Casas
Enviado por Emília Casas em 09/12/2005
Código do texto: T83386
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Sobre a autora
Emília Casas
Volta Redonda - Rio de Janeiro - Brasil, 69 anos
22 textos (839 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 04/12/16 12:18)
Emília Casas