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Somos Cativos

Somos Cativos

Criminosos de nascença
Réus das circunstâncias
Sem protestos ou apelos
Batizados com sentença
Julgados sem instâncias
Algemados sem clemência

De argumentos destituídos
Culpados venais inocentes
Condenados à obediência
Presos a ferros indolentes
Em caldeiras da aquiescência
Dos calabouços emudecidos

Somos tão só propriedade
Em inexorável escravatura
Latifúndios convenientes
Lavrados em fria escritura
Meros peões subservientes
Nos tabuleiros da sociedade

Somos presas da voragem
Das singelas hipocrisias
Nos banquetes moralistas
Servidos como iguarias
Para deguste dos sofistas
E deslumbre da vassalagem

Mesmo assim encarcerada
Trago no sangue o estopim
Em incansáveis rebeliões
Lidero o eterno motim
Recruto almas e corações
E a fera jamais amansada

Mordaças vazam o grito inteiro
Conclamo a implacável verdade
Com altivez assim tão bela
Invoco as luzes da liberdade
Sacudo forte as grades da cela
Fulmino o escárnio carcereiro

Paredes se aproximam, já perto
Tão lentas que causam torpor
Ecoa profundo a canção sorridente
Que do olhar alcança o torturador
Nem percebe que assim me liberto
Em nova forma a abster-me da dor

E etérea me dou -em gozo- ao universo.
Pacificada, enfim.

Assim, transparente...

[E diante do Nada, direi: "Eis-me aqui, vazia e pura.
 Enfim aprendiz de teus silêncios ..."]


Claudia Gadini
09.12.05
Claudia Gadini
Enviado por Claudia Gadini em 10/12/2005
Reeditado em 17/10/2006
Código do texto: T83408

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (Claudias Gadini). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
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Sobre a autora
Claudia Gadini
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Claudia Gadini