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VESTIMENTA

De terno e gravata
Me visto quase todo o tempo.
Obriga-me o ofício
A tamanho sacrifício.

A gravata que me laça,
Que me enfeita,
Me enforca, me ata.

Com camisa de colarinho
Engomado, apertado,
Me sinto esganado.

O paletó que me abraça,
Se me esquenta no frio,
No verão, de calor me mata.

Pra que o sapato que calço?
De cromo alemão!
Se me sinto melhor descalço,
De pé no chão.

Tenho meia de seda.
Coisa fina!
Mas prefiro a de algodão,
Daquelas que furam no dedão.

Pra me livrar da vestimenta
Não vejo outra solução.
Ou paro de trabalhar,
Ou mudo de profissão.

Como não posso parar
E em mudar nem penso,
Curto meu sofrimento,
Agreguei à vestimenta
Pasta, guarda-chuva e lenço.
Hegler Horta
Enviado por Hegler Horta em 10/12/2005
Código do texto: T83669
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Sobre o autor
Hegler Horta
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 70 anos
153 textos (6883 leituras)
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Hegler Horta