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LUA MENSTRUADA 
(em homenagem à Elisa Lucinda)



                                             Moço, cuidado com ela (...)
               (...)Cuidado com cada letra que manda pra ela!
                      Tá acostumada a viver por dentro,
                      transforma fato em elemento 
                      a tudo refoga, ferve, frita
                      ainda sangra tudo no próximo mês(...) 
                 (Elisa Lucinda, in “Aviso da Lua que menstrua”)

Essa gente que sangra,
mês a mês,
assim meio às avessas,
é gente das mais estranhas,
um dia lambe, outro atravessa.
Você está certa, Lucinda,
é gente meio complexa.
É gente acostumada
a não colocar nas travessas
o que cozinhou por dentro,
em fogo brando e sem pressa.
Não há previsão nem certeza
de como sai a comida:
pode ser um banquete,
servido em toalhas de linho
ou requentada marmita ,
mas sempre, garantida surpresa.
Essa gente que vacila
entre o tempero bem feito
e o destempero a qualquer hora,
é gente imprevisível,
pode hoje te comer na cama
e te devorar na mesa,
a qualquer tempo,
a qualquer hora.
Essa gente de avental,
filosofa enquanto trabalha,
e quando decide varrer o quintal,
sabe-se lá quanta tralha
vai-se embora na lixeira,
sabe-se lá a roupa suja
que irá botar no varal.
Moço, tenha cautela,
que essa gente não lê letras,
não é fácil de agradar,
mas quando alguém desagrada,
é certo que vai apanhar.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 16/12/2005
Código do texto: T86598

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai