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(imagem: Four seasons, tela de David Hill)

MINHAS QUATRO ESTAÇÕES

Quando me encobre a tristeza
ou mesmo a saudade me bate,
o outono derruba folhas,
deixa um resto de árvore
e no ar um rastro de abate.
Se acaso me vem sem aviso
uma alegria malandra,
daquelas que eu não pedi,
deixo o coração que sangra,
esqueço o punhado de heras,
um maço de margaridas
me entrega uma primavera.
Pode dar-se, como não?
Uma coisa estonteante,
que vai esquentando por dentro,
um prazer pra lá de escaldante
e num minuto, um instante,
sou o que mais gosto,
a própria cara do verão.
Neste páro mais um tanto,
porque tanto sol me aquece,
tanto a gente se desdobra,
se abre, se entrega, se esquece...
Mas não me chame o inverno:
este gela-me a alma,
padeço de estranho mal,
sofro de aparentemente calma
e tudo fica banal.
Sem alegria, sem mágoa,
por polidez, até sorrio,
mas tudo que há lá dentro
é um oco estranho,
um vazio.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 16/12/2005
Código do texto: T86694

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (154028 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/16 18:22)
Débora Denadai

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