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TEMOR DE HOMEM


Temo
que se sinta puta no meio da rua,
pois os olhares dos homens são trágicos
e os das mulheres, bastante preconceituosos.

A arte da felicidade não faz bem a ninguém.

Eu temo
que seus olhos mansos chorem para dentro
e que rias só para me ver feliz, sem compromisso!

A arte de viver bem é para poucos, quase ninguém.

Temo
as cortinas abertas dos vizinhos curiosos em persianas,
ao comentar, amanhã, a cara do nosso verdadeiro amor.

A arte de acordar bem não é um despertar solitário.

Eu temo
os amigos, as irmãs, os tios, os primos... a família
que sempre trazem um presentinho de boas-vindas.

A arte da convivência independe do amor em conjunto.

Temo
sua consciência, em estado de emergência, no fim da tarde
que sempre lhe trazem maus presságios enquanto quase sozinha.

A arte de viver a dois não marca a cena em separado.

Eu temo
a minha insistência de peso em conviver numa só balança
e o meu ciúme, quase normal, insiste atender seus telefonemas...

Amor de homem é estranho: desconfia mesmo confiando.

Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 30/03/2005
Código do texto: T8758
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
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Djalma Filho