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JUNTOS, BEM MELHOR QUE SEPARADOS


Um dia,
imaginei que a solidão e a noite
fossem cúmplices egoístas
do sono sem imaginação.

Vi, um dia,
a manhã despertar na rua vazia
como se a palidez do lençol
para o nada me acordasse.

Sem o traçado de olhos
que, visivelmente, me olhariam,
acordava envolto no meu calor próprio
tão egoísta quanto o silencio do dia a dia.

Sem o trançado das pernas,
que, maldosamente, pediriam pecar,
despertava excitado no sonho dos viúvos
tão frustrante quanto os priapismos noturnos.

Sem o tropeço dos cochilos,
que, fatalmente, recostariam no cansaço,
um relógio se perdia às dez da longa manhã
negando a essência da criação dos despertadores.

Um dia,
a cama se rebelou contra a burocracia
da faxina, do pó, da farra e da mesmice.

Percebi, um dia,
o calar de todas as luzes artificiais,
uma cama de solteiro
cobrando um corpo casado
que se nega, agora, a dormir.

Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 30/03/2005
Código do texto: T8760
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
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Djalma Filho