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ENSAIO

Um prato quase cheio
Uma gaveta vazia
Um enrosco
Lusco fosco, brilho zonzo
Um não sei o que
Um vai, mas não vai muito
Um brilho estranho no ar
Aquele tapa bronco
Ficou de cara bichada
Não tem senso de esportividade
Fazer o quê?
De cara para baixo fica do mesmo tamanho
Como se o tamanho fosse muito, muito grande
Tem certas coisinhas que nem merecem muita atenção
Falta aquele brilho maior
Próprio de quem não é empostado
Empostação enche o saco
Principalmente quando tem a todo instante
É para chamar a atenção
São poucas qualidades, se é que tem
Quem vem de pose, truques e outras abobrinhas
Para toda hora tem uma traquinagem certa
Tem o tempo de fazer valer algo maior
Essa espontaneidade mais que natural
É por isso que o chiclete que você mastiga
Não é igual ao meu
Falta tato, falta vida
E o que é o mais importante
Que infelizmente é uma regra geral
Falta aquele talento
Por isso, só fica no ensaio
Bem furado da empostação
Sendo que no fim
Tudo é a mesma merda
E o buraco vai ser do mesmo tamanho.
Como tem gente que precisa aprender a gostar de viver.

Para alguns, resolver alguns probleminhas e tecer umas poucas linhas é a passagem para dizer que sabem tudo.

Peixão89
Peixão
Enviado por Peixão em 01/04/2005
Código do texto: T9014
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Sobre o autor
Peixão
Santo André - São Paulo - Brasil, 57 anos
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