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Mesa

salto de lábio em lábio
como a borboleta inquieta
escorrem por mim
as noites e os dias
não o mel
e neles me perco
sem tempo nem palavras

é breve o dia
é breve a noite
é finito o horizonte

que sei do mar
dos dias e das noites
que sei da abelha
cujo destino
é o mel dos outros
que sei das ruas sem gente
nem mente
nem corpo
que sei do pai e da mãe
do irmão e da irmã
do avô e da avó
do primo e da prima
do sobrinho e da sobrinha
do tio e da tia
que sei da mesa
grande e redonda
círculo perfeito
de conversas risos e choros
verdadeiros
que sei da abelha
que sei da cigarra e da formiga
sempre estupidamente inimigas
onde a mesa grande e redonda
círculo perfeito
de conversas feita

andei por todos os lugares
por todos os lábios
e há sempre outro lugar
outro lábio
que fazer desta espiral
quando a morte
é vulgar sobremesa
sem tragédia
que fazer desta espiral
quando o riso
não é comédia
nem festa
que fazer
sem a mesa
grande e redonda
círculo perfeito
de palavras feita
José Manuel Marinho
Enviado por José Manuel Marinho em 24/12/2005
Código do texto: T90150

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Sobre o autor
José Manuel Marinho
Portugal
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