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ANJO SEM ASAS


Se eu ganhasse uma moeda
a cada curva mal feita,
a cada estrada equivocada,
a cada “não”, cada desfeita,
a cada deslize,  derrapada,
seria mais rica e ainda dava troco
a qualquer um
dos meus sonhos mais loucos.
Não sou perfeita,
tampouco muito certinha,
mas isso não quer dizer
que eu não possa teimar
em ir até o fim da linha.
Minha vida pode até
parecer meio banal,
posso até ser bem comum,
mas e daí?
Quer dizer por tudo isso
que já se sabe o final?
Não sou fada ou feiticeira,
nem beata ou milagreira,
mas não quer dizer
que eu não vá tentar e tentar,
até me convencer toda, inteira,
que é hora de mudar a rota
e refazer a história, o roteiro,
mudo o rumo, vou pelo cheiro.
Se me disser que eu não posso,
esteja certo:
eu vou, eu tento, eu faço.
Um outro caminho traço
até ver onde vai dar
Não sou um anjo,
você não me vê as asas
E daí?
Por isso não posso voar?
Minha vida é bem banal,
você sabe e eu sei,
às vezes sinto medo,
mesmo assim, é o jeito,
é assim que eu sei viver,
tento até onde eu não sei.
Tenho medo,
assim como você,
o vizinho e todo o resto,
por essas sei que estou viva
Eu bagunço tudo,
me confundo, me inquieto,
mas não sei andar na passiva,
e o tempo que faça o resto.
Não sou anjo, te falei,
por isso não vou voar?
Só quero que você possa
enxergar meu coração,
por detrás desta poça,
por detrás deste olhar
que te atravessa
e não disfarça.
Não sou anjo,
mas vôo no teu olhar.



Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 03/01/2006
Código do texto: T93693

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai