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BALADA FEIA

Marina,
desiludida,
passou a escovar os dentes
uma vez só ao dia;
custou-lhe isso
a banguelice
e, apenas, dois dentes da frente.

(apesar de nada falar de ninguém)


Marina,
desesperada,
passou a pentear as madeixas
muito raramente;
custou-lhe isso
desgrenhice
e uma calvície rara em mulher.

(apesar de saber da cabeça bem-feita)

Marina,
desleixada,
passou a suar intensamente
o desamor
antes de bem-querer
a si mesma;
isso lhe custou
divórcio para com desodorantes e perfumes,
para com a gilete já sem uso,
sem mais cuidados,
com os pelos a saltar-lhe pelos flancos do sovaco.

(apesar de querer-lo nu em pelo em seus abraços)

Marina,
envergonhada,
com a porta fechada do quarto,
passou a chorar
- agora só –
a comer e dormir, a dormir e comer,
ao som de canções antigas
que mal fariam ao seu lembrar,
e dela: tanto esquecer!

Marina,
deslocada,
ao invés de sentir-se abandonada,
deveria ter de casa saído
em busca da espera
de um novo amor
que lhe devolva o habito
das escovas de dente, de cabelo,
de outros perfumes e gostos musicais.
Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 06/01/2006
Código do texto: T95442
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
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Djalma Filho