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FUSQUINHA.

Eu tive um fusquinha 74.
Comprado de décima mão.
Amarelinho ovo apagado pelo sol.
Rodinha invocada, destas de plástico, calota de plático não é?
Banquinho alto e com radio AM.
Anteninha no teto.
Tinha um detalhe. O cheiro de gasolina viajava dentro do carro.
Tendo fôlego de atleta, era só usar o meu macete. Botava a cara pra fora, puxava todo o ar e agüentava o que pudesse até a próxima fungada.
Tinha um outro detalhe que não tirava o valor do meu fusquinha. A porta do carona sempre abria, nas curvas ou quando passava num buraco.
Tenho espírito de professor Pardal. Em vez de comprar uma nova tranca, que é muito fácil pra mim (Qualquer um compra um tranca na loja. Aloooooô! Isto qualquer um faz), bolei um sistema manual de fechamento seguro de porta de fusca. Valia a pena patentear a engenhoca. Era assim, uma cordinha de nylon amarrada na porta passava por baixo do meu banco, fazendo tração, subia até o painel onde terminava amarrada. Quando alguém fosse entrar ou sair, eu acionava a engenhoca, afrouxando a corda, que afrouxava a porta, que se abria por gravidade, física pura meu caro, saca a engenhosidade! Algumas minas se embaralhavam com a coisa, abriam as pernas demais e obaaaaaaaaaa. Outras nem entravam no carro, esnobes, não sabiam o valor da ciência. Outras entravam, até com paciência, mas....não sei porque...nunca mais voltavam.
Um dia tive que vender o carrinho.
O vendedor desvalorizou demais o "bichinho" por causa desses detalhes.
Pode?
jose antonio CALLEGARI
Enviado por jose antonio CALLEGARI em 07/01/2006
Reeditado em 07/01/2006
Código do texto: T95640
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Sobre o autor
jose antonio CALLEGARI
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil, 53 anos
475 textos (25268 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 05/12/16 08:54)