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MEU VELÓRIO.

Num tom verde bem claro, com predominância do branco.
Assim quero a capela.
Se alguém se lembrar de me levar pra capela!
Pode ser que me despachem direto pro chão.
Mas, vamos imaginar a melhor das hipóteses. Sonhar faz bem.
Mentalizar, cantar um mantra, usar da neurolingüística.
Bem, capela sem flores.
Não quero cheiro de flores mortas. Morto, basta eu.
Ninguém de preto.
Sou tricolor. Pra muitos um horror. Mas, sou Fluminense.
Cores: vermelha, verde e branca.
Mulheres, muitas mulheres perfumadas.
Vou tá duro é certo, mas não vou comer ninguém. Quero-as comigo até o último instante. Bem cheirosas.
Cantem as minhas virtudes. Falaram mal de mim a vida inteira.
Mentira no velório pode. Digam que sou bonito (era bonito não, ainda não fui comido pelos meus futuros degustadores). Digam que era charmoso, um pão. Inteligente. Espirituoso. Um olhar safadinho, pronto pro sexo, mesmo tomando Viagra. Não importa os meios, o que importá são os fins justificáveis.
Falem que fui herói; que salvei as meninas e quando as comi, comi direitinho sem lhes ferir o coração; que gozaram comigo e que eu era um craque em achar o ponto G.
Podem fazer escândalo, sair no tapa por mim, não pelo seguro de vida, que vou achar bom.
Na hora do adeus final (por que existe adeus inicial? alooooô!) joguem terra preta. Nada de terra vermelha. Coisa pobre. Terra preta bem adubada com titica de galinha que é mais forte.
Depois, plantem em cima de mim um pé de amora.
Assim, vou alimentar muitos passarinhos.
E quando vocês ouvirem a sinfonia dos pássaros ouvirão os meus versos de poeta apaixonado, versos de amor.
jose antonio CALLEGARI
Enviado por jose antonio CALLEGARI em 07/01/2006
Código do texto: T95770
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Sobre o autor
jose antonio CALLEGARI
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil, 53 anos
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