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Saudade de quem não conheço (ainda)

Antigamente era uma busca infinda,
era um olhar parado, sem saber por quê,
até que, um dia, eu te encontrei sozinha
e me acheguei, discreto, e, mesmo sem te ver,

sem nem te conhecer, e sem saber quem és,
abri meu coração - ou uma parte dele,
aquela que se mostra no primeiro olhar -,
soltei o meu falar, falei do meu viver.

Antigamente, estavas tu sozinha,
com olhar parado em frente a um monitor,
e assim, sozinha, tu te apresentavas,
lias mil conversas, vias mil sinais,

quando, uma vez, apareci a ti,
falando de poemas e de sentimentos
e invadindo a tela do teu monitor
sem nem pedir licença, sem dizer por quê.

Foi diferente essa apresentação,
estranho, inusitado o nosso conhecer
e, mesmo que estranho ele pudesse ser,
sem toques, sem olhares, sem sons de palavras,

caminhamos firmes nessa estrada aberta
que se apresentava, a indicar, sutil,
um mundo diferente, novo, palpitante,
embora que entre nós houvesse imenso mar.

Continuamos nosso conhecer,
a nos trocar carinhos, beijos, emoções,
enamorados, sem saber por quê,
de uma ilusória imagem digital.

E navegamos por caminhos mil,
ganhando mais amigos, dando mais de nós,
nessa infinita busca do amor maior,
amor que nos sustenta, que nos faz viver,

levando nosso EU para outros monitores
ao olhar atento de invisíveis TU,
um TU que era EU na volta dos sinais,
na miscigenação total do universo.

Mas nosso mundo longe da telinha
não se modifica ao toque de um botão
e, mesmo desejando o mundo navegar,
e encontrar amigos e trocar sinais,

a vida insiste em nos manter distantes,
nesse desencontro que entre nós persiste,
nesse vai-e-vem, nesse cai-não-cai,
e nunca mais te vi... e eu não sei por quê.

E aqui estou eu, nessa telinha branca,
a perscrutar, com ânsia, o meu “Notify”,
pra ver se apareces, uma vez que seja,
para eu te dar um “oi, menina, como estás?”.

Será que vou ter sorte desta vez?
Mas a saudade é tanta, é tanto o meu querer,
que espero um dia, nessa tela branca,
eu mate esta saudade enorme de te ver.

21/03/1998
22 horas.
Paulo Camelo
Enviado por Paulo Camelo em 05/04/2005
Código do texto: T9941
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Paulo Camelo
Recife - Pernambuco - Brasil, 68 anos
909 textos (260267 leituras)
36 áudios (10733 audições)
6 e-livros (1686 leituras)
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