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DESENCANTO

Cimento, fundamento, suporte.
A quadrelha, a fachada, a viga, a calha...
Escoa a água.

Céu coberto, perfeito:
a morada!

Construtor abrigado, laços alicerçados,
cercados, adornados de várias cores.

Pela vidraça voltada para a mata,
o bem te viu, embriagado pelo canto
do bem te vi.

Deslumbrado com a beleza do horizonte,
deslizando no imaginário, a imagem interior do relicário.
(...) amontoado de recordações:
  Conquistas!

Cai no abismo:
Languidez e putrefação lhe acompanham.
Desgovernado, desce os degraus da fama.
Embrutecido pelo desencanto,
entristecido pelos cantos,
não mais absorve o encanto do existir.

A (parente) mente desmedido!

Burlesco, ab-roga a poesia,
Incauto, abscinde a alegria

Força bruta! Empurra, puxa;
abre e fecha a porta.
Mão abrupta! Fecha (dura) entorta!

Fotos, fatos, recortes empoeirados:
deteriora!
O dia, a noite, o beijo, o açoite...
Bela a vida!
Pusilâmine a morte!

Fatima Paraguassú
Enviado por Fatima Paraguassú em 14/03/2006
Reeditado em 20/02/2008
Código do texto: T123319
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Sobre a autora
Fatima Paraguassú
Goiânia - Goiás - Brasil
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Fatima Paraguassú