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A AREIA COMO LENÇOL


Vem-me nestas paragens
O perfume da minha terra,
Das flores e plantas selvagens
Que deixei na subida da serra.

Vem a saudade caprichosa
Com a força dum furacão,
Como um espinho de rosa
Cravar-se no meu coração.

De mim não tem pena.
Não sabe a dor que senti
Ao deixar minha terra morena,
E os sussurros que não mais ouvi

Do mar beijando a onda
Em segredo, à luz do luar,
Dos canteiros, traçados com arte,
Enfeitando a orla do mar.

Arrepia-me até os cabelos,
E me faz cada vez mais querer
Guardar com tantos zelos
As imagens, para eu não sofrer,

Do solo onde eu vivi
Dias felizes de muito sol,
E da cama onde eu dormi
Tendo a areia como lençol.

Vivo um momento naturalista
De nostalgia, cantada em versos,
Saudade da terra santista
Meu berço e de povos diversos.

26/03/06.
 
Maria Hilda de Jesus Alão
Enviado por Maria Hilda de Jesus Alão em 26/03/2006
Código do texto: T128964

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Sobre a autora
Maria Hilda de Jesus Alão
Santos - São Paulo - Brasil
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Maria Hilda de Jesus Alão