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Diapositivos de São Lourenço

Olha a chuva chovendo tanto,
olha a vida que a chuva traz.
Olha a chuva, pro meu encanto
continua chovendo mais.

Olha a chuva, olha a Natureza,
verdes campos, jardins de flor.
E o gado, igual beleza
só lá mesmo no interior.

Olha a chuva sem cor a molhar,
mas o gado não acha ruim.
Não é hora de se afastar
desse imenso de verde jardim.

Pois a chuva miúda é carinho
para a mata e as plantas que cantam.
E passeia o feliz passarinho,
é com a gente que eles se espantam.

Olha a chuva, o gado e a vontade
de chuva de choro em mim.
Por que essa inútil verdade
me prende e me dói tanto assim?

Mas, é claro, cheguei a sorrir
e de verde também me molhei.
A porteira cheguei a abrir,
mas o gado passou, e eu fiquei.

É gado, cavalo, galinha,
quanta coisa se tem pra contar...
Quando dez anos eu tinha,
nem era preciso falar.

Da chuva a gente corria,
mas ela molhava e a lama
com banho nem sempre saía,
mas a gente ia limpo pra cama.

Por que a chuva não molha mais
o gado malhado que adoro,
que quando me encara, ele traz
a paz que eu sempre imploro?

A chuva se foi e eu fiquei
com a imagem do gado e o capim.
Mas dele pra sempre terei
os olhos pousados em mim.


Rio, 14/02/1974
Aluizio Rezende
Enviado por Aluizio Rezende em 20/09/2006
Reeditado em 20/09/2006
Código do texto: T244553

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Sobre o autor
Aluizio Rezende
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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