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A CHUVA BATE DOCMENTE NA JANELA

Ontem à noite
Houve um temporal
O país esta ao contrário
Mas eu estou bem
Nada me atingiu
Pelo menos nada de anormal…

A chuva bate docemente na janela

E estou abrigado
Numa boa e quente casa
Só não estou
Ao abrigo de mim
Mas essa é outra história
Há muito contada…

A chuva bate docemente na janela

E penso nas pessoas
Que se estão a molhar
Enquanto eu estou aqui
Tranquilo
E quentinho
À espera do jantar

A chuva bate docemente na janela

E na televisão
Passa um concurso
Imbecil
Que o apresentador
Ridículo
Para ter algum sucesso
Faz figura de urso
Mudo pois de canal
E está a dar uma música
Estival
Por um instante estou lá
E não aqui
Estou bem
Mas sinto-me mal

A chuva bate docemente na janela

E vêem-me à memória
Tempos antigos
Bem…
Não são tanto assim
São tempos
Onde da chuva
Não procurava abrigo
Antes fugia
Na sua direcção
Ignorando
Que já
Não era chuva de verão
Ignorando
Ou não me querendo lembrar
Que essa chuva feria, fere
Essa chuva
Podia-me constipar
Mas hoje
E para sempre
A saudade bate-me
Cada vez
Que uma gota beija o vidro
Da prisão de onde estou
Pois mesmo
Quando estou a conduzir
Tenho vontade
De deixar o carro
E de a chuva
Seguir
Para qualquer lado
Para qualquer
Destino indefinido
Pois eu sinto-me como ela
Sou de toda a gente
De toda a gente
Sinto-me amigo
Mas ao mesmo tempo
Nunca paro o suficiente
Para laços criar
Sou como a chuva e o vento
Que em qualquer lado
Posso andar
Sem deixar um rasto
Que não seja
Dos meus gestos
E quando calha
Um beijo
Eu gostava
Que só chovesse
Num local
E esse
É um dos meus
Mais secretos
Desejos…

A chuva bate docemente na janela

Miguel Patrício Gomes
Enviado por Miguel Patrício Gomes em 25/10/2006
Reeditado em 25/10/2006
Código do texto: T273411

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Sobre o autor
Miguel Patrício Gomes
Portugal
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Miguel Patrício Gomes