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MURMÚRIOS DA TARDE

No plácido horizonte o sol debruça
Pra acordar noutra plaga distante.
A tarde sombria murmura, soluça,
Com saudade do seu amante.

Na distraída atalaia entre o galho seco
Um disparo mortal de espingarda.
No solo ardente sob o vento fresco
Tomba um corpo sangrando sem farda.

E então o algoz o apanha contente
Pensando somente em assá-lo na brasa
Tão logo que pise no batente,
No batente de sua casa!

Num instante insegura e amedrontada
A viúva se esconde da assassina medonha.
Mas ao ver a pena do amado voando manchada
Foge pra outras bandas sozinha, tristonha...

No aconchego das águas mansas do ribeirão
A sombra cansada se deita, desmaia.
Enquanto distante, bem longe do sertão,
O sol nasce novamente na praia.
Carlos Melgaço
Enviado por Carlos Melgaço em 20/10/2007
Código do texto: T702583

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Sobre o autor
Carlos Melgaço
Vitória da Conquista - Bahia - Brasil, 59 anos
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Carlos Melgaço