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A valsa dos burros

eu vou pisar,
vou estraçalhar todos os colares
caducos
deslúcidos
entupidos de burrice
intragável
impagável

peço um sopro de lucidez
para banhar a mente desses zumbis
mal mastigados
ungindo em libertação
dos grilhões em formas de nuvens
de patinhos miudinhos
e de sorvetes coloridos

BLASFEMIA!

NINGUEM PODE SER LUA
NINGUEM PODE SER AURORA
NINGUEM PODE SER VERTIGEM
NINGUEM
NIN-GUEM!

EU CUSPO, EU CUSPO SOBRE ISSO

quando o espelho não da nas vistas
suas próprias palavras gozam
da sua cara, baixinho
enquanto seu peito palpita,
               (inflando descompassado
as liras que são de açúcar
e nunca conheceram a chuva
e nunca dividiram uma luta

enquanto isso não machuca
e ralentando, perdura a quimera
eu arranco as pétalas vermelhas
nesse múltiplo colar de pérolas

mirando a faceta menina
eu cuspo
cuspo, banhando os enxurros
bem longe da lua e dos astros
eu ouço
distante, a valsa dos burros.
Augusto Guimarães
Enviado por Augusto Guimarães em 13/02/2006
Código do texto: T111388
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Sobre o autor
Augusto Guimarães
São Bernardo do Campo - São Paulo - Brasil, 29 anos
39 textos (2181 leituras)
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Augusto Guimarães