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BOLHAS

BOLHAS
Sub.: " VIDA E MORTE COM PRAZER"
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Nascem minúsculas
Ágeis, sinistras.
Instantaneamente
sobem pelas paredes espumosas
de um copo delgado
- sobem-no velozmente.
Felismente!
Quanto mais espumantes,
mais charmosas.
Bolhas que trazem consigo, aromas diferentes,
bolhas que transbordam-se na superfície:
o mais curto caminho...
São muitas! São milhares.
E, por um instante, inteligentes,
transparentes
embriagadas pelo carinho
dos lábios reticentes...
São almas vivas exalando o crepúsculo do vinho.

Encha o copo!
Elegantemente, crepitante,
espumante.
Tome um pequeno gole, suavemente
fumarola de borbulhas
que se elevam e se desmancham
num vai-e-vem constante
calmamente
e velozmente lançam no ar
milhares de gotinhas douradas,
carbonatadas,
francesas...

São inúmeras a suas franjas
enfileiradas e douradas,
douradas, douradas, douradas...
brilhantes e douradas.

Elas nascem, vivem e morrem
instantaneamente...
só para o nosso prazer.

É a química liquefeita do verbo morrer
e o glamour
das celebrações ao anoitecer.

As bolhas exalam-se na ascensão e no colapso
com suas moléculas
líquidas e agregadas.

Bolhas que fogem do ninho
geometricamente,
teoremas, espumas, dunas,
feito gás ou pensamento,
"saem de fininho"
e correm tão rápido-
feito uma nave incandescente,
louca
e docemente projetada
que vem liberar seus aromas
e morrer dentro
da nossa boca.

Bolhas aromáticas
enigmáticas
centenas estrelas que estouram por segundo...
Bolhas aquosas,
ligeiramente ácidas.
Bolhas charmosas borrifando-se pelos ares do mundo.

Bolhas em gotas,
gotas de amor.

Bolhas opostas que molham nossos lábios
e conectam-se em anéis
- collerette -
topcoat em flute cheio
encantam-se os fiéis com seu recheio.
Bolhas em sonhos,
sonhos de amor.

Bolhas apaixonadas que iludem-se ao glamour dos sábios.


Bolhas miraculosas
mais rápidas que o pensamento
bolhas que exaltam em nossa alegria
todo o borbulhar do esquecimento.
Bolhas flutuantes
-câmaras de ar -
procuro sempre em seu estouro
um sublime perfume - um paladar.




Mas há sempre quem ganhe
Guarde seu segredos
na simplicidade
e no frescor
ou na sua intangível irreverência,

na lembrança de quem perde...
na presença de quem ganhe...

a explosão e
o explendor de um copo de champanhe!


AVIENLYW - (15/2/2003)


WILDON LOPES
Enviado por WILDON LOPES em 07/06/2006
Código do texto: T171348
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
WILDON LOPES
São Paulo - São Paulo - Brasil, 57 anos
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