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CARNAVAL NO RIO.

Já ouço a bateria
O repique
O tamborim
E tuntun paticumbum...
Eu gosto do som sensual
Da cuíca...


A cadência marcada
Ao som de um apito
Que se impõe
Na algazarra organizada do samba.

O suor já descendo `
Pelas costas da passista
E que ancas...
Num remelexo
Que meu queixo...

Já já ficam prontas as fantasias
Num imaginário de artesão
Numa arte popular
De muita técnica e precisão.

No camarote,
A elite de sempre
Olhando o povo de cima
E se dizendo contagiada pela sua alegria.
Rolando espumante e cerveja
Mulher pelada e camisinha
Alguma droga qualquer...

Na arquibancada, a multidão
Desamparada como sempre
Gritando por ambulante com o seu isopor
Cadê a minha gelada?
Churrasquinho de gato no prato
Farofa e cerveja
Num suadouro comunitário
Sentindo o batuque da bateria.
Meses de economia pra comprar o ingresso.
Um sacríficio injusto
Pelo justo divertimento...

Na apoteose,
O fim desta overdose de festa
Da carne do meu povo
Do povo trabalhador
Que vai trabalhar de novo
Juntar dinheiro mais uma vez
Pra entrar na fila sob o sol
De quarenta graus do Rio
Comprando o ingresso
Do carnaval do ano que vem...

E o money de tudo isso
Vai pra quem?
jose antonio CALLEGARI
Enviado por jose antonio CALLEGARI em 11/02/2006
Código do texto: T110447
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Sobre o autor
jose antonio CALLEGARI
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil, 53 anos
475 textos (25277 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/12/16 20:52)