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Bagaço

Bagaço
                 
Sou bagaço agora
Não um bagaço qualquer
Sou bagaço, sou mulher
Mas sou pro que der e vier...
 
Nesta vida de roldão
Amei, rolei tanto neste chão
Fiz da minha vida, tentação
Porque nas minhas rolanças
Queria só ter esperanças...
 
Já fui fruta viçosa, saborosa
Toda linda, toda formosa
Enfeite de pomar, toda charmosa
Fruta amorosa, dengosa
Toda doce, toda cheirosa...
 
Agora rodopio nos bagaços
Do amor, da paixão aos pedaços
Giro o mundo sem parar pra pensar
A vida rola assim pra contin uar
Porisso só quero agora bagaçar...
 
Bagaço de tanto amar
De sonhar as ilusões
Vivo em eterno rodopiar
Nada de parar pra pensar
Quero só continuar a caminhar...
 
Agora já bem mais devagar
Só vendo a velhice chegar
Tento, sim, me convencer
Que tudo está modificando
Que quase está se acabando..
 
Então corro em eterno vai-vem
À procura do que me convém
Pulo cercas, ando nos telhados
Nas esquinas e nos cercados
Procurando outro alguém...
 
Mas o tempo urge, depressinha
Atordoada, fico na minha
Porisso bagaço sozinha
Prefiro ser o que sou agora
Fruta-bagaço, bem velhinha...
 
Deus, por caridade!
Deixe eu bagaçar de verdade
Não me culpe, estou assim na idade
Vendo os dias passarem com velocidade
Não me julgue com muita severidade...
 
Myriam Peres
 
Myriam Peres
Enviado por Myriam Peres em 15/06/2006
Código do texto: T175940
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Sobre a autora
Myriam Peres
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 86 anos
473 textos (54606 leituras)
5 e-livros (275 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 07/12/16 09:00)
Myriam Peres