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CONVERSANDO COM O "AMOR"

Quando a maré baixava, vazava
Eu costumava sair da faixa de areia
E andar pelas poças de água

Ficava sentado numa das muitas pedras
Que emergiam, quando o mar baixava
Ficava ali entre o céu e a linha do horizonte
Barcos e lanchas num frenesi
Passavam aos montes

Ficava até o mar voltar
Encher, encobrir todas as pedras
Então eu nadava de volta até a praia
Não sei por quanto tempo permanecia ali
Daquele jeito assim
Sei que eram muitas horas
Depois, bem depois ia embora

Numa dessas belas manhãs...
Costumava sempre ser pela manhã
As marolas ao explodirem nas pedras
Refletiam cores e tons diversos
As águas chocavam-se caiam
Como pequenas cachoeiras
Que belo universo

Aí começaram a cair como flocos de neve
Palavras, à minha frente,
Flutuei nesse imaginário eminente
Sentado, observava a chuva de palavras a  cair
De forma intensa, diferente, persistentemente

Elas surgiam como a fazer performances
Flutuavam, planando à minha volta
Então o SENTIDO parou, fez cara de “sem bem saber”
“sem bem entender” e perguntou:
Tem SENTIDO isso o que você faz?
Parei, pensei e respondi:
E o que faz SENTIDO pra você,
Responde-me vai?

Ele deu de ombros e afastou-se
E surgiu o SENTMENTO com ares de inquisição,
Aproximou-se e perguntou: onde estou em você?
Refleti e respondi:
O que faço, faço com a alma com paixão
E tudo aflora de forma natural,
Visceral, porque faço
Com o meu coração
Aí reside os meus SENTIMENTOS que brotam
Da minha essência, do meu existir,
Da minha natural gratuidade com a vida
Da atitude, da ação da forma de agir...

Ele deu um leve sorriso e saiu
Parece não ter ficado satisfeito com o que ouviu

Fechei os olhos, e ao abri-los
O AMOR estava na minha frente
Parado, estático, sem nenhum movimento
Sério a me olhar me instigando a falar
Disse então:
Não sei o que falar!
Ele quedou-se desconsolado
Mas, num gesto pediu pra eu continuar
Conheço o AMOR fraterno, humano,
Amei muito os meus pais,
Eles já não estão mais comigo
Mas ainda os amos demais

Amo muito os meus filhos
É como se a minha alma e o meu coração
Estivessem em outro lugar
Amo o meu trabalho, gosto de tudo o que faço
Amo-me muito,
Amo a criação, a existência
E amo muito a DEUS de forma suprema

Mas esse amor a que você me apresenta
Entre um homem e uma mulher
Esse AMOR que todos buscam e procuram
Eu ainda não encontrei em mim,
Não sei o que é...
Não sei onde ele foi parar
Se estar em mim ou não esta

O AMOR então me olhou surpreso:
Como você nunca amou e, no entanto...
Escrevo frases e poemas de amor completei
Para o seu espanto!

Mas, esse AMOR
Esta em você...
Disse-me ele, de forma bela, intensa,
Não o esconda, por favor,
Enquanto você não viver essa história
Não irá sentir-se completo, como pessoa,
Como gente, como homem...
Vai, faça surgir esse sentimento agora,
Sem demora, por que para o AMOR,
Não tem hora,
Espere! Falei: e ele disse:
Não, não espere mais nada...
Você não vai embora?
Perguntei!
Todos já se foram...
A maré já encheu, e a água já esta nos meus ombros
Preciso dar o fora
Ele permaneceu parado e disse:
Não vou sair da sua frente
Agüente
Não vou embora
Não agora
Vou fazer parte do seu diário
Do seu imaginário a toda hora
Eu vou ficar aqui ate você precisar de mim
E não adianta mentir, nem fingir, sorrir...
Porque sei que quando ELA chegar
Então vai acontecer, tudo vai mudar
E juntos vamos sair por ai
A andar, a sorrir, a cantar...

Agora a água já batia no meu queixo
Estufei o peito
Fechei os olhos e nadei até a praia
E ele o AMOR estava lá
Esperando-me a me olhar
E falou: não te disse que não ia te deixar...

BY JORGE BRITTO





JORGE BRITTO
Enviado por JORGE BRITTO em 18/10/2007
Reeditado em 18/10/2007
Código do texto: T699593

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Sobre o autor
JORGE BRITTO
Sumaré - São Paulo - Brasil
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