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Poema 0574 - Pesadelos e sonhos

Na noite volto meu corpo para o canto escuro da parede,
desligo meus olhos até que os pensamentos venham,
antes, derramo a última taça de vinho tinto,
pego os sonhos e tento refleti-los no teto do quarto,
não quero agora despertar, deixo ser tudo quase real.
 
 
Pareço compulsivo, não me entrego ao lado negro,
convoco todas as luzes que brilham na alma,
banho de perfume as linhas do corpo da amada,
faço-a sentir plena, com o amor pronto para sonhar,
deixo as ausências de fora e que apaguem a solidão.
 
 
Repasso o dia, os meses, todos os instantes que amo,
lembro todos os poentes que um dia foi sol,
fecho devagar as portas do passado para não acordá-lo,
muitas vezes falo ao meu corpo da paixão,
como se voltasse de um êxtase, sinto-a presente.
 
 
Deixo que o belo ataque minhas lembranças mais recentes,
tento prosseguir meu caminho enquanto durmo,
consulto meus espelhos do destino, nada dizem,
as mãos vão ao rosto da mulher que amo, sinto a pele,
são os olhos que refletem sua imagem da minha alma.
 
 
Hoje amanheci pensando em despedidas,
tento encontrar alguma razão, algum motivo,
quisera eu apagar minha mente quando não me agrada,
comecei a voltar o tempo até ontem, não mais que isso,
fechei os olhos, escutei, meu amor continua aqui.
 
 
Sempre misturo palavras às lembranças de um amor real,
nada é mais profundo que o toque na pele nua,
é quando os dedos caminham até aos desejos, provocando-os,
perdemos o senso, ambos queimam como uma fogueira pagã,
o encontro é marcado e todos os prazeres invadem os sexos.
 
 
As luzes provocam relâmpagos nos arredores dos corpos,
vêm as contrações, junto a aceleração descompassada,
os abraços ficam mais fortes como se protegendo o outro,
os sentidos ficam soltos, gemidos são as palavras do instante,
as mãos correm, deslizando as peles molhadas de suores.
 
 
Ainda é noite, o escuro cerca meus olhos junto à parede,
as imagens desaparecem lentamente da minha memória,
recordo todos os êxtases, meus olhos vêem novamente luz,
nenhum sonho poderia ser tão real, o perfume dela está no ar,
levo a mão d'outro lado da cama e sinto seu corpo quente.
 
 
25/01/2006
Caio Lucas
Enviado por Caio Lucas em 25/01/2006
Reeditado em 26/01/2006
Código do texto: T103547
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Caio Lucas
São Paulo - São Paulo - Brasil, 68 anos
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Caio Lucas