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Louca serenata


 
Os instantes agonizam em horas que descansam seus minutos,
sobre os ponteiros dos segundos, prelúdio do fim.
Treme a terra no derradeiro som que ecoa da boca sórdida das tempestades,
destruindo o grande mar onde espelhos escondem as imagens do que fui,
arrastam sobre a terra os cabelos grisalhos em raios
temendo o que seria se não fosse o que um dia desejei...
 
 
Nas orgias tempestivas de um corpo sem alma,
segue o poeta atônito pelas linhas do tempo que sem espírito o aguarda,
anjos sem nomes, recriados no seio que toma a vida,
revestem os sonhos nas alegorias de um lirismo apregoado,
onde a lua, nua de estrelas, pari a terra em grãos de areia,
iluminando o céu que trago em mim guardado.
 
 
Sou então a serenada nas bocas apaixonadas de poetas loucos,
visionários de um tempo pagão que descobrem em suas amadas
os caminhos tortuosos que os levam rumo a toda perdição.
Chora o coração do poeta nessa busca encantada que lhe retém toda vida,
canta seus sonhos em serenatas perdidas, desconsoladas,
buscando ainda encontrar no amor sem mágoa toda sua remissão.
 
 
Busca seus encantos nas relvas orvalhadas,
molhando os pés que descalços seguem por trilhas inacabadas,
busca sua face os olhos que nada vêem,
além dos lábios que sonha beijar,
busca no corpo onde em sentido a velha chama reascendeu
elevando a alma que não tem o céu que ainda não é seu...
 
 
Apenas nas noites onde os sonhos tornam-se seu,
voa liberto das dores que oprimem seu corpo marcado por tão grande flagelo,
liberando o grito abafado pelas bocas amantes do passado que não conheceu.
No suor, tem seu cheiro na pele aquecida,
lavando as lembranças que nunca viveu,
afogando as memórias nas ondas da história que quer manter esquecida.
 
 
Grita o poeta aturdido, nos versos pobres, sem rimas, perdido,
grita o poeta nos gritos que canta a história de sua andança,
grita o poeta sem esperanças, sem sonhos, espírito sofrido,
a não ser  em seus sonhos onde vestido da liberdade sonhada,
marcada sem  tempo nos acordes de uma serenata que jamais será ouvida,
encontra-se protegido no amor que o abraça pelos braços de sua amada.
 
 
 09/03/2006
Aisha
Enviado por Aisha em 11/04/2006
Código do texto: T137400
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Sobre a autora
Aisha
Jundiaí - São Paulo - Brasil, 50 anos
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