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UM POEMA

Já que falas tanto em sangue, amor trágico, rosas vermelhas,
te digo:
Um poema é um pedaço de tua carne,
que seja uma perna atravessando o ístmo
entre a dor cruel e o prazer escancarado,
saltando cordilheiras do desprezo
e bailando à frente de um touro
que irá te ferir mortalmente
e te sorverá o corpo inteiro...

Já que cantas tanto o amor, seja d'alma, seja da carne,
te digo:
Um poema é todo o teu coração desfolhado
servindo pétalas de sangue a rouxinóis,
uma planície imersa em vermelhos lençóis,
é te ver dobrando os joelhos
pelo peso do amor que te consome,
te ver ganir de fome
pelo outro que esperas em vão
para habitar teu extenso coração.

Já que chamas tanto a lua,
em dentes brancos em busca de gotas carmim,
te digo:
Um poema é uma masmorra que se derruba a beijos,
todas as loucuras soltas, felizes, etéreas, à êsmo,
o nascimento macio de um pássaro que grita,
é todo o teu corpo entregue à fome do medo,
a quem por ti ousa toda a brutal coragem
de se curvar e beber em tua nascente entre margens,
arrepiar-te toda em pêlos à brisa de outono,
é tomar-te a mão, como em sono,
atravessar todos os séculos da tua alma
e possuir-te, tanto e tão pouco em fúria e calma...

Um poema é só um servil criado
ao teu antigo mundo abrindo o quarto
para que entrem todos os sentimentos do mundo.

Preto Moreno
11/04/2006

















Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 12/04/2006
Código do texto: T137869

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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