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JOGOS DE AMOR, AFETO E DESCASO (várias)

.....


AMAR DE
         JOELHOS

De que adianta
te amar como quem tem sede
se me deixas sem água
morrer na beira do mar
Se te amo calado
me insultas em público

De que adianta
te amar como quem tem fé
se não acreditas em nada
e me deixas morrer pagão
Se te amo solitário
me deixas só na multidão

De que adianta
te amar como uma jóia rara
se me negas o brilho
e o riso do teu olhar
Se te amo como louco
você manda me internar



SOBERANO AMOR

Sigamos soberanos o nosso amor
Um só ensejo, um só desejo
Único, livre e uno,
senhores de si,
Olhos no mesmo horizonte.

Ações concretizam o amor
e confirmam juras ditas na manhã de sol
sob o vento d’outono

Longe de mim solidão,
paz maldita dos cemitérios,
deserto da vida,
aflitivo sentimento que anula
o sentido de tudo:
união, junção, amálgama
 
Confirmemos em atos o que desejamos de fato
pelas palavras cheias de sentido
que serão verbo se precedidas de abraços, bocas...
respeito, consideração...



DEIXOU-ME NO CAIS

você me castigou
postou-me como pedra
na beira da praia
a espera do navio que não aportou

você se foi
e deixou seu cheiro seu gosto comigo
quis o mundo
aos meus solitários carinhos

você, de amor e caos,
que desorganizou-me inteiro
que brincou de amor
e me largou no pântano

você de mil encantos
hoje eu já sorrio e canto
a canção do desprezo
nem mais na memória eu te vejo

você, de amor e pântano
a dor secou, a mágoa se foi
e hoje amo mais e melhor
a quem de fato me abrigou no peito



ELA ME TROCOU PELO FILME DO NICOLAS CAGE

Ela me trocou por um filme do Nicolas Cage
Se ainda fosse por um recital do John Cage tudo zen,
mas não foi isso que fez
Trancou-se na sala e me isolou do seu calor
Deixou-me sem sono, na mágoa, na pior
Que dó d'eu



VOCÊ FICOU SÓ NO PORTA RETRATO
 
O ontem já não importa
O dia novo amanheceu
Você ficou só no porta-retrato
um o sol que já morreu

Seu gosto na minha boca
Seu cheiro no meu paletó
Seu sexo no meu
Isso não tem volta

Agora não tem mais jeito
O ontem já não importa
Ao sair feche a porta
Não precisamos de adeus

As coisas são assim:
O abraço veio primeiro
O beijo, o resto veio após
O desencontro, o desacerto...
Tudo é reflexo de todos os erros
Coisas sem conserto

Tudo a minha volta
já amanheceu
O ontem é muito distante
Você ficou só no porta-retrato
Um sol que já morreu.



COMPUS UM HINO AO SEU AMOR

Se você quiser
te componho um hino
e ponho a filarmônica
pra tocar

Se você quiser
escrevo o teu nome no muro
e um poema de Drummond
pra te conquistar

Se você quiser
anuncio no jornal
que és a única, a verdadeira
só pra chatear

Se você quiser
Se você deixar
Misturo meu enredo ao teu
Afasto meus medos
Dou-me inteiro
Só pra te agradar



MULHER RESOLUTA

você fala de modo resoluto
absoluto feminino e divino
sobre o fazer
a busca e o fim
você é sincera direta e certa
não nega seu amor
e eu fico bobo pensando
o quanto preciso de ti
estou sempre incompleto
faltando carente vazio
ciente de que um rio sem sua fonte não chega ao mar



MULHER RESOLUTA 2

te gosto assim inquieta
malagueta insistente
significativamente presente
e o que me importa ser miúdo
calado tapado quase nada
se com você eu me vejo além
transpondo montanhas
rios abismos e o duro cotidiano

você me comove com gestos
atos atitudes e ação concreta
você é discreta quando quer
mas não é de ficar quieta
você expõe idéias ideais
e faz na prática o que pensa
avança projeta e alcança

você alavanca o amanhã no ontem
e faz o hoje acontecer
você é brava de luta
mulher resoluta



UM AMORZINHO QUANDO POSSÍVEL

O que você quer é só
um carinho nas costas,
a minha mão suave
a lhe dizer gentilezas
e meu silêncio amigo
a acalentar seus sonhos

Se a sua vida é batalha
o sono é a vitória

Faço silêncio.
Distraio meus contratempos,
e contrariedades...
São só desencontros internos,
pensamentos em desalinho.
Tudo, eu sei, são procuras,
desejos nem sempre realizados.

O corpo só quer sono, colo, cafuné
e um amorzinho, quando possível.



UM CASO COM UM BOLERO

Estou de caso com um bolero
Meio Ângela Maria meio Cauby
Anos trinta etc e tal
Sei que estou meio fora de tom
E da postura rock in rol
Estou meio cuba cha-cha-cha
Meio bossa meio fossa
Tito Madi e Nana Caymmi
Agora me redimem
dois pra la dois pra cá.



NÃO COLOQUE UM DISCO DA BETHÂNIA

O seu desprezo não é nada,
sei superar fraquezas,
mazelas que nivelam por baixo o amor.
O corpo atrai
mas a alma espanta
quando tudo se esvai em lágrimas e mágoas

Não faça do nosso caso um drama,
não coloque um disco da Bethânia pra rodar.
O último romântico se foi
e não deixou saudades.
O que nos liga e atrai é uma trama
de amor, carne e alma

Vamos com calma, não há dor,
não há ferida pra tratar.
O nosso caso é um fato extraordinário,
mas nada que atraia manchete de jornal.
Não queira tirar ensinamento
do que é só um vento ligeiro

O nosso amor não é passageiro,
é um transporte com norte e direção.
Os estragos na estrada são nada
perto do que já somou de beijos e afagos.
Deixa passar a mágoa, a nódoa.
A chuva tudo lava e leva rio abaixo



PRODUTO VENCIDO EM SUA VIDA

Eu não vou mais te dar trabalho
Vou sair devagar
Sem bater a porta
Não vou deixar a toalha molhada na cama.

Eu não vou mais te dizer “verdades”
Vou ficar quieto
Não vou reclamar
Ou tentar te convencer mais das minhas certezas.

Estou saindo de cena no meio do filme
Vou deixar a história seguir
sem que eu mais tente mudar o roteiro
ou ansiar por um final feliz

Se não tem importância a minha presença
vou tirá-la da paisagem.
Vou sair devagar sem traumas, sem mágoas.
Quero deixar de ser mero produto vencido em sua vida
pois acho que já estou cheirando mal


NADA ROMÂNTICO

Eu quero amar você
Um amor completo
Repleto de carinho
Beijo na boca, carícias e sexo

Não me leve a mal
Tornar isso assim tão explícito
Mas não quero correr risco
De ser impreciso

Célio Pires de Araujo
Enviado por Célio Pires de Araujo em 06/05/2006
Reeditado em 21/10/2006
Código do texto: T151201

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Sobre o autor
Célio Pires de Araujo
São Paulo - São Paulo - Brasil
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